Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: Peixe
O Cataia é bem fácil de achar, na Riachuelo, na esquina bem de frente com a Praça 19 de Dezembro, do homem nu. Do ladinho do Shopping Mueller e do Passeio Público, e fácil de andar da zona boêmia do São Francisco e Trajano Reis. Ali é uma confluência de busões, os amarelos param na frente do colégio ao lado do bar, o vermeio no Passeio Público, o cinza tem um tubo na frente do shopping, é ruim de estacionar, desista e adquira um cartão transporte - aceitam até débito nos tubos!
Esquina da Riachuelo
O Cataia é um bar alternativo para atrair os jóvis alternativos de 30 anos e por aí. O ambiente é simples, chão de lajota, mesa de madeira, paredes cheias de quadros e fotos, parece uma penteadeira. O ambiente do bar se divide em quatro: lá fora, mesas na calçada, frente para a praça, receita garantida para o sucesso em dias de calor; na entrada é o balcão, decorado com plantas, só dois bancos de “espera” de pedidos pra quem quer um teique-aut, mesmo assim agradável; uma sala intermediária com um brechó (sim, você leu/ouviu certo) e a porta do banheiro; e uma sala dos fundos com um palco que não dá pra chamar de palco porque ainda é o chão, mas a parede isolada denuncia. Antes de mais nada, a música é quartas e sábados, às vezes sextas, ótimas opções porque se fosse quinta a gente não conheceria o bar. Segundo, bar alternativo frequentemente é meio politizado, então tem umas bandeiras do sapo barbudo e de arco-íris nas paredes, mas se você liga pra isso você tá botecando errado. Terceiro, vou parar de elencar as coisas em algarismos ordinais e só continuar falando normal. Os pedidos são feitos no balcão como em boa parte dos bares da região, porque a ocupação das mesas pode ser meio fluida, aí tu acompanha o letreiro luminoso e pega sua comida/birita quando chamam, tem gente que não gosta porque dificulta a divisão da conta. No balcão ficam as plantas, e mais pra dentro botaram uma exposição de fotos caiçaras, em que o fotógrafo deu um rolê no mato ali em Superagüi e Guaraqueçaba e trouxe imagens dos pescadores e das ilhas, troço simpático. Tava uma noite meio fria, o bar ficou tranquilo e os comes não demoraram demais.
Lá fora, o movimento
Olhe que agradável, quase uma sala de estar
Cabeça olhando a exposição, olha o brechó ali no canto
A janela é um quadro da praça!
O "palco" ameaçador
Mas a sala do palco é legal sim
Comes
Bebes normais
Bebes autorais
O cardápio do Cataia também é simples, quatro sanduíches e meia dúzia de porções, mas ninguém precisa mais que isso numa cidade de tantas opções botecárias. Os sanduíches são basicamente pão d’água, vinagrete e uma carne, que pode ser bolinho de carne, frango ou peixe empanados, e carne de mentira pros vegetarianos. Pegamos carne e frango, estavam OK. Aipim, frango a passarinho, tilápia bons. Acho que gostamos mais da porção de peixe. Estávamos em poucos integrantes, então não rolou pedir muitas comidas. O cardápio de drinks é muito legal, os drinks são bem criativos e sempre tem um toque crioulo. Pena que é mais legal que gostoso – não é ruim, longe disso, mas é tudo meio azedão demais assim (só olhar os ingredientes), então o que a gente experimentou falhou em surpreender. Pra fugir do azedo, você toma um shot amargão ou uma caipirinha convencional, e tem chopes também. O preço é legal, acessível pra cada porção ou birita, mas se tiver com fome vai acumular e você vai pagar caro sim.
Tivemos que botar o pescador caiçara na mesa pra fazer coro... ele não fala muito
Estamos numa época de baixa moral, então só estava eu e o Cabeça no bar, escapulidos de uma primeira opção na prudente que tem sido impossível de botecar. Fizemos uma caminhada saudável até o Cataia, assumimos uma mesa no salão do meio e ficamos de boa ali, contemplando a exposição de fotos e a muito peculiar fauna local. Mesmo nós, botecários de meia idade com luque jovem e cabeça véia, somos espécimes muito estranhos naquele ambiente, controversamente mesclando muito bem nesse ambiente diverso. Mandamos ver algumas rodadas de comes e bebes em uma noite de bate-papo sossegado. O coro é baixo, mas o espírito do boteco persiste naqueles que fogem dos celulares para participar da vida real nas ruas da cidade.


















































