sábado, 9 de maio de 2026

#303 – PL Bar / Red Light – 26/03/2026

Presentes: Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: burguer né

O PL Bar fica ao lado do Red Light Bar, no Alto da XV, Padre Germano Mayer, perto daquele terminal de ônibus estranho que não é bem um terminal, onde a linha do trem cruza a rua. Pra chegar lá, vai pela Souza Naves (que é a continuação da Nilo Cairo que é a continuação da André de Barros que é a continuação da Dr Pedrosa que é a continuação da Av Batel que é continuação...) até a Germano Mayer na altura da Igreja do Cristo Rei e vira à esquerda, duas quadra pra frente tem um bar de luz vermelha que parece uma zona, você passou. É logo antes, a casa obscura. Automaticamente você achou o Red Light. Busão ali tem alguns amarelo que passam pela Marechal Deodoro, mas dá pra ir de vermeio até a estação tubo Viaduto do Capanema e andar umas poucas quadras até o bar.

Piscou, perdeu
Esse é mais fácil de achar

O PL Bar é um clássico da boemia curitibana, e é um tanto peculiar. Não tem assim uma placa, tem uma faixa que às vezes tá lá às vezes não, e é tudo escuro, parece uma caverna, então se você não for direcionado para o local exato é fácil de perder. “Rústico” talvez seja uma palavra para caracterizar o muquifo, mas tem um tanto de “gótico” pela escuridão. “Aconchegante” teve gente que falou, eu discordo, sou mais de lugar ensolarado e aberto. Mas certamente dá certo para jóvis, que povoam o lugar com frequência em números consideráveis, fica um aspecto de bar universitário. Tem bastantes... objetos lá, tudo meio jogado assim, mas passa um ar de estar organizado. Além das mesas, sofás e cadeiras aqui e ali, mesa de pebolim sempre vazia, um videogame multijogos em TVzinha de tubo (gen Z não pode dizer que é nostálgico, nem tinham nascido!) e montanhas de cacarecos velhos em prateleiras e cristaleiras. Passa uma noção de dono acumulador, mas está tudo em seu lugar. Em dias de frio, a galera se amontoa dentro, em dias de calor, a galera se amontoa fora, ambiente concretado industrial onde há muitas plantas tipo jardim de vó (ou de bruxa). Sei lá, os jóvis nativos são fissurados no lugar, e segundo as redes sociais boa parte disso se deve ao dono Pedro Lauro, um veinho simpático que dizem que está sempre lá arrumando as coisas do “jeitinho dele” mas não estava nesta noite em que estivemos, quem sabe ele ajudasse a trazer um charme pro lugar. Voltemeia entra um mendigo ou outro e sai, não sei o que fazem lá, deve ser uma dose. Os pedidos são no balcão, paga-se na hora, o lugar não tem comida, só birita, então tivemos que dar uma escapada para o Red Light que fica ao lado.

Entrada da caverna
Entretenimento
Bastante bagulho... mas tudo arrumado!
Casa do vô... bar do vô
Lá fora, mais aprazível (?)
Escuridão toma conta
Que estande de bebidas atraente...

O Red Light também é um tanto peculiar, mas menos. Facílimo de reconhecer pela luz vermelha, claro que parece uma zona, mas é um bar de jóvi mais convencional que poderia muito bem fazer parte da Trajano. Red light se refere ao Red Light District, rua de zoninhas de Amsterdã, o que é confirmado pelo “XXX” na parede do bar, que é a bandeira da cidade e se refere às famosas proteções contra enchentes (tá na minha memória isso aí, é verdade? Se eu pesquisar perde a graça) e tem uma bicicleta de enfeite. Tem um ambiente interno vaziozão com algumas mesas e uns tambores na calçada pra galera apoiar o cotovelo, e apesar de ter grande área vermeia (parece que você tá usando aqueles óculos 3D de celofane das antiga), tem um espaço de luz branca pra descansar os olhos. Tem uma puta JBL das grande na frente, roque brasileiro, Cazuza, Raimundos, Raulzito, Mamonas, Blitz, legal. Também se pede no balcão e tem comida, tornando-se um refúgio para quem tá com fome no PL. Eles dão um pager pra dizer que o pedido está pronto, mas eu não testei beber no PL esperando pedido no Red Light, não sei se alcança.

 
A entrada da zoninha é onde fica o balcão
Lá pra dentro, assim
Cardápio na parede se você não quiser pegar o cardápio em papel plástico
Cardápio em papel plástico se você não quiser ver o da parede
Biritas

Os comes do Red Light se resumem a hambúrguer com fritas, e alguns salgados. Os burgers são bons, lembra do McDonald’s pelo pão, mas é mais bem feitinho. Batata frita boa, a batata trufada não vale a pena, o sabor é mais alho queimado que trufado. Pastel de queijo top, recheio considerável. Dadinho de tapioca ruim, meio mole desmanchando sei lá. De bebidas, cheque mate caseiro, jeque couque. Caipirinha demasiadamente doce. Chopp. Bebidas satisfatórias, nada mais. No PL, como é pra ser, somente beras comuns e biritas de boteco bem fulêras, batidas de garrafa de prástico por cincão, cynar a 8, barato barato, mais uma atratividade para os jóvis. Paga-se tudo no balcão, como dito anteriormente. Preço do Red Light OK, certamente não seria um impeditivo para retornar ao estabelecimento.
 
Meu povo na biritage
Meu povo afogando a fome

PL é um bar que já dá pra dizer que é tradicional, mas não é assim atraente de fora – mas com rumores do Pedro Lauro se aposentar, tivemos que cumprir nossa missão botecal. Quase todo o povo meu povo que foi passou reto o PL, ele realmente não se destaca, ainda mais perto das luzes vermelhas. Começamos com um Cynar aperitivo no PL. Nerd rooteza escolheu tetris dentre os mil jogos no Nintendo. Homem simpático cinquentão nos atendeu inicialmente, explicou que não tinha comida, que tinha tido música ao vivo no dia anterior pela primeira vez em 17 anos (ufa, passamos perto de sofrer), mostrou as variedades do bar. Mas como eu e Bráulio estávamos com fome, começamos efetivamente o rolê no Red Light. A demora do pedido é proporcional à fome, quanto mais fome mais demora. Confrades foram chegando e se juntando à mesa vermelha do bar vermelho, e em satisfazendo nossos estômagos, seguimos ao PL só tomar umas. No segundo tempo, quem nos atendeu no PL foi um cidadão de meia idade barbudo de cabelo meio loiro que não era o PL, demasiado jovem, alto, quieto, mal vestido e mal-humorado. Você citava a bebida e ele servia (não pedia, só citava – cuidado com a boca). Tudo escuro, no calor todo mundo lá fora tava agradável. Música não se decide, vários estilos, roque, techno, silêncio. Frequentado por jovens, de vez em quando um morador de rua entrava e saía, lugarzinho diferente. Só faltou o encontro com o PL para captar o carisma do estabelecimento. Claro que fomos embora ainda com bastante gente no boteco, a altas horas.

domingo, 26 de abril de 2026

#302 – Bier Kraft – 12/03/2026

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Bráulio
Quando lá, comer: empanada

O Bier Kraft fica na República Argentina, descendo da Praça do Japão duas quadras depois, do lado direito, passando a Iguaçu. É uma das lojinhas que ficam numa área comercial no térreo de um prédio residencial, algo comum no centro / rápidas no entorno da canaleta do expresso. O jeito mais fácil de chegar lá é pegar a Iguaçu e chegando na Repúbica Argentina virar à esquerda, fica logo ali e de noite certamente tem vagas. Mas como sempre, a recomendação é pegar o vermeião, estação tubo Silva Jardim. Moleza.

Estabelecimento comercial

O Bier Kraft é uma loja de cerveja disfarçada de bar, modalidade moderna relativamente frequente na capital curitibana. Não é muito grande, e nem precisa ser, para o público refinado familiar que atende o estabelecimento. Ambiente elegante e confortável, boa iluminação, bandeiras com as marcas de cervejas da modinha sem parecer poluído demais. E claro, geladeiras e bancadas com grande variedade de cervejas artesanais, se for pra tomar uma Skol nem gaste seu tempo. O bar conta com um salão interno com a loja, um sofazão único que acomoda 4 mesas pequenas, e uma mesa alta comunitária em que você obrigatoriamente acaba batendo papo os nativos – já fiz isso em momentos de espera, e apesar de não ser um boteco de villa, é uma excelente e autêntica experiência botecária brasileira, recomendada a todos os jovens que atingem a maturidade. Do lado externo, o conjunto comercial de lojinhas fornece muito convenientemente um teto na calçada, sob o qual você pode botecar tranquilo sem precisar dar atenção a intempéries. Visto que o boteco não acomoda tantas pessoas, o tratamento é personalizado. Comidas demoram bastante, mas relaxe e peça mais um chopp que esse eles servem na hora.

Clima receptivo no salão
Olhando pra fora, esperando o chope
Marquise xperta
Aí os comes
Torneiras do dia
Pra quem não vai no chopp (ótima seleção)
Pra levar pra casa

Da minha lembrança, no passado a loja de cerveja servia somente bebidas, com quintas-feiras gastronômicas em que serviam um prato ou chamavam um food truck (que sorte, quintas-feiras, o melhor dia para botecar). Mas pelo que entendi em nossa visita, agora tem um cardápio de frituras básicas que servem sempre, mais algo produzido somente quinta e sexta, no caso carne de onça. O público deve ter clamado por refeições, e devem ter feito desta forma para facilitar a produção dos comes - não está errado, depende do propósito do bar. Então mandamos ver no que tinha. As empanadas são a sugestão dos confrades, peça conforme seu gosto – gostamos bastante de gorgonzola, claro, frango e caprese. Demais porções ali, finger foods... pode ser que você tenha sorte, mas eu achei bem ruim, salgadinhos ruins, bolinho de bacalhau horrível. Até a polenta frita é meia boca, era o stick de queijo? Lembro de palitos ruins. Sendo quinta-feira tinha carne de onça, mandamos ver mas era com cebola roxa, e tinha mais cebola que carne, então foi complicado de terminar.

Claro que o foco são os chopes, e são de ótima qualidade, coisa premium. Acho que é coisa de apreciador, ou está ligado ao gosto do dono, mas achei que podiam ter maior variedade de chopes, era meio que tudo IPA. Tá bom, tinha uma Stout e uma Lager ali pra variar, mas podia ter Weiss, Sour, Red Ale. Pilsen e APA eu não ligo, haha, é o mesmo esquema de gosto. Enfim, para quem não é de chopp, foram espertos: colocaram uma pequena seleção de uísques, rum e tequila também premium, num cantinho. E o que é mais premium no lugar... o preço. Claro, com os chopes belgas caprichados que servem, o preço é em euros mais frete. Se for pra uma noitada e não um chopinho rápido, esteja preparado.

Cabou que só tirei essa da galera da mesa

A gente queria de verdade era sentar no sofazão, cinco peão tomando chope na loxinha, mas tinha um casal sentado bem no meio ocupando o lugar inteiro. Depois chegaram mais gentes que eles estavam esperando, vá lá, mas ficamos na inveja. Gente também espalhada na mesa principal. Tivemos que sentar nas pequenas mesas externas, apesar do clima bom, cadeira alta na calçada irregular não fica confortável, a gente fica se revirando. Mas se o papo é bom, a botecada é boa. O dono é amigo do Bráulio, e mandou uma propaganda personalizada falando que estava abrindo um barril de Delirium Tremens para nós, coisa fina. Só que acabamos ficando com opções limitadas de bebidas – que coragem que você vai ter de pedir um chopp de 70 pila numa botecada com os amigos, em que a conta é dividida? Tem que ser bem cara de pau, que nem o Cabelo (vibes clássicas do Varanda). Meio que demos um jeito de dividir uns chopes caprichados entre todos, e o dono foi gente boa e fez umas promoções pra nós, tipo 3 empanadas e 3 chopes por um preço mais acessível, mas ficamos meio pendurados na Lager, aí perde um pouco a graça.

Então... é isso. Se você é um véio burguês amante de chopp, excelente lugar para você conhecer seus peers na cidade, virar um nativo autêntico da loja. Senão, a recomendação é dar uma passadinha ali depois do trabalho, tomar um chopinho e trocar uma ideia, e depois seguir a um restaurante ou boteco para jantar.

sábado, 18 de abril de 2026

#301 – Bar do Pilim – 26/02/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Adolfo
Quando lá, comer: bolinho de gorgonzola

O Bar do Pilim é facilmente acessível, fica na Brigadeiro Franco logo após a esquina com Saldanha Marinho, vizinho do Chinchu e Botanique/Negrita. Estaciona na frente após 20h, mas costuma ficar cheio na região por causa da proximidade da Prudente de Morais, atual inferninho badalado de barzinho da cidade. Curitibanos estão tendo um gosto de como são algumas regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, em que você cruza bairros inteiros sem uma puta vaga pra estacionar. Isto é só mais um motivo para você usar o maravilhoso sistema de transporte público de Curitiba, charmosas estações tubo, descendo na muito prática estação ahn... Visconde de Nácar e andando em sentido contrário na Saldanha Marinho para chegar ao boteco.

Com certeza tu já passou ali...

O Bar do Pilim é bastante amplo, fica numa casa que parece tombada (mas em pé) com um espaço aberto na lateral, uma cobertura tipo teto de prástico no fundo. São dois ambientes principais, um do larguíssimo balcão de fórmica para os bebedores solteiros solitários se sentirem ainda mais solitários, e um pátio com mesas espalhadas na lateral com uma luz amarelada que após passar várias vezes na frente, torna-se característica do lugar e traz um certo aconchego. O aconchego é bem-vindo, porque as paredes são num estilo industrial de concreto armado exposto que traria até um ar de desleixo se você não soubesse que é de propósito. Na frente tem um corredor de mesas singulares limitadas por uma grade, e tem uma saleta meio claustrofóbica no fundo com uma mesa de sinuca. O lugar é bem legal de ficar, música boa tipo grunge e roque anos 90 e 80, pops inocentes, volume um pouco alto mas damos desconto porque é boa. O boteco tava vazio (como é de costume) e os atendentes vêm rápido, jovens simpáticos atenciosos (falei que nem véio agora). A comida demora normal, nem pouco nem muito, drinks vêm rápido.

As mesas que você vê da rua
O balcão e seus clientes solitários
Acesso lateral ao balcão
O ambiente lateral
Mesa de sinuca mocadinha no fundo
Cardápio em página única dupla

O cardápio do boteco é bem interessante, não chega a ter uma variedade espetacular mas é muito mais que o suficiente para o objetivo de botecar: somente porções, beras e drinks. Dentre as porções, destaque para o marvadíssimo bolinho de mussarela recheado com gorgonzola (sempre escreverei mussarela com 2 “s”, o certo é errado). Frango com geléia de pimenta muito top. Carne de onça bem boa. Bolinhos de carne e costela – as porções de bolinho são bem boas mas pequenas, algumas tivemos que pedir de duas. Torresmo OK. Não tinha língua, sofri – pedimos moela na cerveja preta e não gostei muito do molho, melhor seria de tomate. Batata boa. De biritas, chopp Brahma, cervejas clássicas. Cachaças Bassi, excelente escolha, acessível, nativo do Paraná e de ótima qualidade, ao contrário do Bacco horroroso que domina o mercado (opinião própria impessoal). A carta de drinks é extremamente atraente, misturas criativas, ingredientes locais, irreverente, coisa de criador de drink estudado. Chato é que quando você pede... não vou dizer que os drinks são ruins ou mal executados, mas é tudo amarelo e azedo. Necessário equilibrar um pouco mais os ingredientes, talvez? Colocar mais xarope simples, potencializar ingredientes amargos? Sei lá, eu só sou bebedor profissional, não sei direito fazer. Preço é bom! Claro, porções pequenas acumulam o preço, mas pra região tá top.

A galera no gás... ainda bem que ninguém fuma

Pegamos estrategicamente a mesa ali na borda do teto de prástico, tu foge do sereno, condições ideais de botecagem, um vento mei forte trazendo chuva de madrugada (essa era a esperança...). Porra, puta lugar agradável, bons comes e bebes, e o que chama mais a atenção é o lugar estar sempre vazio quando você olha da rua, nota bem baixa no Google Maps, não faz sentido. Talvez durante o almoço o lugar se sustenta? Mas aí o Adriano trouxe uma informação extra: quando você olha os comentários, a turma fala que presenciou mais de uma vez o dono maltratando os funcionários. Então parece que é um tipo de boicote a chefe ruim, quem não se identificaria? Mais pro final da noitada, a música excelente supracitada se converteu a um sertanejo universitário lazarento de horrível, já estava num horário um pouco avançado, então aproveitamos pra nos mandar logo. Já que fomos os grandes patrocinadores da noite, os atendentes nos serviram uma saideira de cachaça infusionada, aplausos pra eles, fomos muito bem tratados. Quando perguntamos por que a música tinha piorado tanto de repente, eles falaram que no fim da noite o chefe sai de onde está (faculdade sei lá) e costuma dar uma espiada no bar, e que ele exige que esteja tocando música ruim porque “é um bar de samba”.
Então tivemos uma história pra contar no blog. Nossa experiência foi ótima, coincidiu com um período que o dono do bar não estava presente, mas o que vale foi o que presenciamos, e aprovamos a botecada.

terça-feira, 7 de abril de 2026

#300 – Botequim do Dinei – 12/02/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san, Tanaka
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolinho de linguiça

O Botequim do Dinei fica em Campo Largo, mas não se impressione tanto com a distância, calma aí! Meia horinha do Barigui tu tá lá. Pegue a 277 sentido Ponta Grossa (claro), e na entrada principal de Campo Largo tu faz a barboleta e entra na cidade via ladeirão. Segue reto passando as pequenas indústrias e a prefeitura, e depois da rotatória ou redondo segundo os catarinas, ainda segue reto. Não se encante com a praça, que dá vontade de virar nela mesmo, vai mais um pouco e depois do posto Concha, primeira à direita. Benedito Soares Pinto a rua. Nela segue umas dez quadras, você vai ver o centro crescer e diminuir, a cidade acha que vai urbanizar mas volta a ser novamente uma Villa. Passando a distribuidora de gás e chegando a um outro posto de novo, vira à direita, João Batista Vallões o nome da rua. O boteco está na próxima esquina, esquina com a Avenida Centenário que visitamos no boteco nº 100 e repetimos com o boteco nº 300.


Chegamos à marca de 300 botecos, senhoras e senhores. Como dizem os véios, sempre falo que no meu tempo eu achava que depois do cinquentésimo boteco teria tudo acabado e a gente teria que ir pros boteco de vila, mas a cidade é muito maior que eu imaginava, veja onde chegamos: estamos indo num boteco de vila fora da cidade. Zuêras à parte, agora praticamente sendo uma tradição, quando temos um boteco de número redondo como 100, 200, 300 ou 175, nos vemos forçados a ir além de onde a vista alcança, onde os ônibus não são vermeio ou amarelo. Dentre as propostas de Araucária, Lapa, Campo Largo, o que acabou encantando os confrades foi o carisma de um gordo barbudo no insta, e a votação nos trouxe novamente à Avenida Centenário de Campo Largo. Sério, olhe o insta do boteco e veja se não dá vontade de ir lá. É muito atraente e barato, não é pu Sílvio, queremos o tira-teima! Então pegamos a nossa outra quinta-feira de sempre e marcamos um encontro atrapalhado no meque da Vestefalen, em que só o kombão foi de carro e demais confrades foram de carros e ônibus não próprios, devia ter marcado num lugar menos movimentado. 5 peão se encontraram neste ponto e coletaram o 6º na região do Barigui, rumo à região metropolitana norte da capital do Pinhão, em um glorioso motor watercooled flex de Fox embalado numa caixa de sapato.

Não tirei foto da Kombi neste dia. Acredita? Vou ver se alguém tirou

O Botequim do Dinei tem um astral botequim, mas busca um nível extra de conforto para agradar os nativos campolarguenses, então o ambiente é caprichadinho. Numa esquina que parece que era uma casa antiga de grande área, temos um ambiente aconchegante na entrada, junto à cozinha e ao balcão. Parede de tijolinho, plantas que deixam dúvida se são de verdade, mesas de madeira preta, puta lugar top. Transbordando em popularidade, abriram um salão no andar de baixo, também muito ajeitadinho com balcão auxiliar e itens vintage da modinha, e ainda compraram o terreno ao lado pra montar uma churrasqueira e um parquinho pras crionça se distraírem enquanto o pai toma todas. Cabe bastante gente, soma umas 30 mesas de em média 6 pessoas, o que dá 180 segundo a matemática básica, operador multiplicação. Existe um certo culto à personalidade do Dinei, como ocorre com personalidades carismáticas da televisão, igrejas e políticos populistas, sua silhueta figurando nos cardápios e paredes. Havia baixa expectativa dele estar presente nesta noite tão importante, e realmente ele não apareceu. Nos contentamos com uma versão dele feita em IA pelo cabeça no celular, transcrevo-a abaixo. Naquela noite de fevereiro, um calor do demônio, tá faltando um ventiladorzão lá embaixo Dinei! Uma puta JBL a todo volume, a praga do século, do tamanho de uma lixeira de clube, aquelas que até tem pegador e rodinha tipo um carrinho de transportar geladeira. Soltando um pagode desgraçado a noite toda, as mesas tendo que gritar acima da música, uma zona, ponto negativo para o bar. A quantidade de atendentes é considerável, só é meio difícil fazer os pedidos com todo o alarido. Agora, a partir do pedido, caralho, como que as frituras chegam tão rápido? É como se a cozinha tivesse adivinhado o que a gente queria. Só o burger do Tanana demorou, de resto é vapt vupt (essa é das antiga). Tratamento OK, os próprios atendentes vão ficando estressados com o barulho.

Entrando pela frente você vê o balcão assim
Vendo a entrada do balcão...
 
Descendo a escada, calor da porra
Outra vista do mesmo lugar, nóis no cantinho
Quiser trazer as cria, tem espaço pra largar
Comes I
Comes II
Comes III
Bebes I
Bebes II
Diz aí, o desenho do cardápio é muito mais fiel ao Dinei de IA do que o Dinei original

O cardápio do botequim é certamente muito interessante, uma boa variedade de porções que só um bar de grande porte aguenta sustentar. Só fritura e desgraça, o coração da comida de boteco. Comemos bolinhos, destacando-se o de linguiça, muito top. Tilápia, fritas com costela desfiada, coisa fina. Bolinho de queijo, alcatra na mostarda bons (este demorou um pouco mais). Mandioca estava meia boca, aqueles bolinho de mandioca pré-macetado em vez de aipim de verdade sabe? De bebes, chopes barateza em caneco congelado, um dos grandes atrativos do boteco, meia boca mas cumpriram o propósito. Dentre eles, o grande astro, por incrível que pareça, era o chopp de vinho rosê, caindo no gosto dos confrades talvez pela refrescância em meio ao calor endiabrado, saindo em várias unidades. Drinks foram pouco pedidos, a maioria era drinque clássico piorado pela qualidade da matéria prima. Em relação às biritas, um adendo negativo foi o gin, que para os drinques usavam Seagers mas nas prateleiras a gente via Hambre e Tanqueray, para quê escondem o jogo? Um adendo semi-positivo são as cachaças do cardápio, que eles classificam de tradicional a super premium de forma muito acertada, as marcas muito bem encaixadas em suas categorias – só era semi-positivo porque o preço não era muito positivo. Mesmo assim, de forma geral o preço foi legal, puxado pra baixo pelo preço dos chopps.

A galera que dá orgulho no pai

Climão de festa ali no trocentésimo boteco, conseguimos reunir toda a galera regulamentar que ainda frequenta o nosso xquema, com a aparição do Tanaca que desde o nascimento do filho deixa saudades. Ele fez o esforço de ir de carro próprio até Campo Largo, ao contrário dos demais exceto o kombão como previamente discutido. Saudades dos que nos deixaram ou têm frequentado pouco, mantenho os agradecimentos pela contribuição ao crescimento da Confraria, especialmente aos membros fundadores Tony e Cabelo (Cabeça ainda entre nós, obrigado). Mas puta merda, que calor e que música pentelha, às vezes eu saía da mesa pra dar uma esfriada na garoa do parquinho. Quando passou das 22h e as famílias começaram a ir embora, vagaram umas mesas lá em cima, então eu puxei a galera pra lá que estava mais fresco e silencioso. Fica a dica, chegar cedo pra pegar mesa em cima que é bem melhor. Bráulio pediu uma sobremesa lá em cima, daquelas que todo mundo questiona a masculinidade mas ninguém se abstém de consumir – algum diabo de chocolate, bolacha e mashimeno, coisa boa. Ficamos mais uma meia hora e o kombão foi devolver a galera em casa, quanta mordomia. Assim é fácil sair pra beber.

Bebedores da távola quadrada 300º

Resumo do bar, só das lembranças que ficaram: ambiente bonito, variedade de comes legal, chope barato; música alta desgracenta e calor do diabo deram uma estragada. Bom pra fazer um happy hour se você for campo-larguense, mas sendo curitiboca, existem lugares mais interessantes mais perto – mais botecáveis, de comida melhor, de drinks mais top, e às vezes tudo ao mesmo tempo.

domingo, 29 de março de 2026

#299 – Botequim do Véio – 29/01/2026

Presentes: Adolfo, Adriano, Cabeça, Cid
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: bolinho de milho com gorgonzola

O Botequim do Véio fica no Água Verde, bem na curva em que a Avenida dos Estados vira a Rua Castro, na frente da pracinha dos escoteiros. Pra chegar lá acho que o caminho mais direto é a Ângelo Sampaio, que depois da Rua Chile vira Professor Luiz César, nome genérico, não é estranho que nunca decorei essa rua. Você pode ir até o final caindo na Avenida dos Estados, mas em ver de seguir o fluxo você vira à esquerda. Duas quadras depois o boteco está na esquina, não dá pra perder. De vermeião você pode descer na Dom Pedro I, mas aí é necessário resistir à tentação de visitar os 5 boteco da Avenida dos Estados que você atravessa antes de chegar à Castro (e são lugares bons hein).

É nóis fechando o boteco...

O Botequim do Véio é um lugar recentemente aberto (no momento deste post, que a partir de agora entra para a infinita história da internet, a ser absorvido e corrompido pela inteligência artificial). Não tem frescura, como um boteco deve ser, mas é bem ajeitadinho para ser agradável aos visitantes (iluminação sempre cumprindo seu papel). Mesas de MDF e cadeiras de metal, tudo simples, mas ambiente com toque de arquiteto. Na parede, um caminho de formigas, não vi correlação com nada específico. Música brasileira das boas, MPB, sambinha leve. Balcão de bar atraente e estufa de salgados. Mesinhas altas na calçada sob a marquise, e certamente mesas normais do lado de fora se não chove. Se chove, conte com um bar vazio, pelo menos durante a semana, o que aconteceu naquele dia. O véio é um cara jovem, contraintuitivamente, talvez pelos poucos cabelos grisalhos rodeando sua careca, e nos atendeu com bastante afinco depois de pendurarmos a gloriosa bandeira da confraria nas cadeiras. Mas não se preocupe, nossa avaliação é imparcial a elogios. OK, só a moça que nos atendeu parecia bastante mal-humorada, não precisamos que seja tudo sorriso mas gerou desconforto. Estávamos sozinhos no bar, então era esperado que as coisas não demorassem muito, e não demoraram muito, confirmando nossas expectativas.

Vista do salão interno com balcão
Caminho de formiga
As mesinhas do lado de fora, conforme a chuva permitiu
A tal vitrine de acepipes
Cachaças do dia, em mural vintage
Comes
Bebes

A comida do Botequim do Véio é o destaque, variedade top de comidarada de boteco. O bolinho de milho com gorgonzola é astro, bom para cacete. Língua boa, dobradinha (esta deu vontade mas não tive companhia para pedir). Cadin do Véio, linguiça, torresmo e mandioca, deusdocéu, que me desculpe o sistema digestivo. Pastel de angu e queijo estava interessante, mas angu e queijo não combinam muito, e a gordura já tinha passado do ponto, sentimos aquele peso na barriga. Tem uma estufa que chamam de vitrine de acepipes, claro que rolou um rollmops, mas com tanta porção interessante não nos atraiu recorrer às comidas requentadas. A galera quis o doce também, queijo com doce de mamão, tudo muito bom enfim. De biritas, cervejas convencionais e doses de cachaças interessantes em variedade limitada, mais alguns drinks também interessantes em variedade limitada, não podemos nos queixar. As porções são um pouco reduzidas em tamanho, então o preço dá uma amontoada no final da noite, mas abra sua carteira, invista no seu lazer.

 
Os clientes da noite

Como dito acima, dia de chuva, boteco vazio. Esperei um tanto até a primeira vítima chegar, o Cabeça, Adolfo chegou logo. Adriano demorou a chegar, só porque mora na casa do caralho, desculpe o palavreado mas tomar no cu, mora longe. Gostaria de ter mais companheiros(as) para comermos mais opções do cardápio, ou um estômago maior, mas acho que prefiro companheiros(as). Véio nos tratava bem mas a moça tinha cara fechada, parecia que estava nos atendendo por obrigação, certamente isso é verdade como em qualquer emprego a não ser que você seja o dono, mas sabe como funciona atendimento a cliente e tal. Bom, 22h15 levantam as cadeiras nas mesas e nos trazem a conta sem pedirmos, expulsão direta sem termos derrubado ninguém na área, tampouco cotovelada de Leonardo ou cabeçada de Zidane. Divisão da conta feita errada, vergonha de pegar calculadora pra fazer certo. Sei lá cara, entendo que éramos os únicos no bar, mas a gente não pretendia esticar, nos enxote com simpatia, não com voadora. No maps diz que fecha às 23h, mas não contem com isso. Então esta é a resenha. Quero voltar para experimentar o resto, mas vou com o pé atrás pelas poucas más lembranças proporcionadas.