quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

#294 – Elvis – 06/11/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san
Sugestão: Bráulio
Quando lá, comer: shawarma

O Elvis’s (Élvizes?) Bar e Restaurante, anteriormente Élvizes Restaurante e Lanchonete, fica no Cristo Rei, na região daqueles prédios de bacana que circundam o Jardim Botânico. A rua é São José, uma das principais da região, e pra chegar ali você vai pela Affonso Camargo que é a rua do expresso que passa na frente da rodoviária até o final. No final ela vira à esquerda no Hospital Marcelino Champagnat, mais conhecido como Hospital Cajuru, e vira a própria São José. Passando dois sinaleiros, o bar/restaurante/lanchonete fica do lado esquerdo. Ali é bem pertinho da estação tubo Hospital Cajuru, então é essa a dica de transporte do dia.

Quem sabe você já tenha passado na frente, no Cristo Rei

Olhando de fora, o Elvis é um lugarzinho atraente, e o ambiente é joinha mesmo. Contempla um deque envidraçado fumê que podia ser transparente – coisa de arquitetura dos anos noventa, como diz o letreiro, desde 1999. O deque tem mesas de madeira, uma TV pra passar o jornal na hora do almoço, uma parede “viva” com trepadeiras falsas, iluminação quente que é o xquema como costumo dizer sempre, lugar agradável pra ficar. O chato é que da metade pra dentro as luzes são frias, as paredes são de cimento e inox, e o buffet do almoço tá ali vazio, dá um aspecto desagradável. O balcão não tem nenhum atraente, salgados parecem antigos, e lá no fundão o Döner Kebab tá abandonadão lá, não parece sujo mas causa uma má impressão. Dizem que se você entrar na cozinha de uma lanchonete você nunca mais come lá - o aspecto se aproxima disso, mas considero que essa cozinha não chega a traumatizar quem já passou por muito boteco estranho. Quem atende é o Salem, um árabe que não fala muito português, mas faz um esforço para tratar bem os clientes, gostamos bastante do atendimento dele. O bar tava vazio no dia, então não esperamos muito pelos pedidos, mas era o Salem que fazia tudo sozinho, então pode ser que num dia mais concorrido demore bastante.

O deque do lado de dentro
Do outro lado, uns detalhes ali
Lá dentro é mais feio, mais comercial
Balcão de lanchonete
No fundo do corredor, vai saber há quanto tempo tá esses troço ali
Porções que não tinha
Xizes e shawarmas

Se você for de noite no Elvis, não preste muita atenção no cardápio, pergunte o que tem pra comer e beber, porque tinha bem pouca opção disponível, mesmo sendo um dia normal de outubro. Não tinha frango e peixe, de porções só carne e batata, isso que a carne nem tá no cardápio. Também tinha shawarma e hambúrgueres. Aí comemos o que estava disponível, e o Salem faz tudo com tempero árabe, o que é interessante de certa forma. A batata tem pimenta árabe, a carne é o recheio do shawarma, bem estilo sírio, mais tempero que carne, chega a ficar alaranjada. O tempero era bom, mas a carne de qualidade bem baixa, daquele espeto de Kebab da foto, muita gordura e desgraça, meio seco. Pedimos o shawarma, Salem fez com carinho, não é ruim, mas sofre pela qualidade da carne e é afundado em molho de alho, azia na certa. Bráulio experimentou o X-Salada, ruinzão, hambúrguer de baixa qualidade também. De bebidas, só cervejas convencionais, mas o Salem arrumou uma garrafa de Smirnoff pra fazer caipirinha pra nós, firmeza ele. Cabeça não teve dó e pediu umas três, mas ele parecia animado no trabalho. Pessoal tomou Estrella Galícia. Quiser tem coca-cola, ou uísque com energético sem uísque. O preço foi abaixo da média, assim como a qualidade.

Enfrentaram com bravura as intempéries

Chegamos meio tarde no Elvis, e o dono seu Edson estava do lado de fora bebendo. Chega aí, ele apresentou o ambiente do lugar, totalmente vazio. Pedi uma birita, ele falou destilado? Não tem! Peraí, acho que tem uma garrafa de vodka em algum lugar, neste momento apareceu o Salem sorrindo. Esse é o chefe, disse o Edson, e Salem disse que quem era o chefe era o Edson. Salem sumiu pra dentro do bar e voltou com a garrafa de Smirnoff pra salvar a noite. Nessa hora o Edson foi pra fora e seguiu bebendo, não mais voltando ao interior do bar, mesmo porque não chegou mais cliente nenhum. Confrades foram chegando e o Salem foi dando conta das porções e shawarmas. Quando sentimos o impacto do alho, contei pra turma a história de que o alho de shawarmas de outros lugares me dava azia, que se preparassem... e no dia seguinte a turma lembrou vividamente da história. Em determinado momento chegou um grupo de árabes e ficaram conversando com Salem numa das mesas do bar, a gente já tava alimentado. Ao final da noite, quando estávamos pagando a conta, chegou um grupo de jovens que mora ali na frente, pegar uma garrafa de qualquer coisa, e comemoraram a gente estar ali animando o bar.

Resumindo, a impressão que deu foi que o lugar é um buffet de almoço pra turma que trabalha na região, e só abre à noite pra tentar receber um pouquinho mais, mas é bem desorganizadão, meio que não era pra ser um bar. O ambiente é agradável e o Salem atende muito bem, mas o lugar é largado e a comida deixa bastante a desejar. Se for pra comer no almoço, vá lá, experimente, mas pruma botecada à noite escolha outro lugar.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

#293 – Bendito Boteco da Galera – 23/10/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: espetinhos

Bendito boteco da galera, no coração do Portão. Já existiu um Bendito Boteco que fechou lá em 2016, existe a Bendita Izabel, e pra não confundir, esse aqui é o da galera. Pra chegar lá, o fácil é ir pela rápida do Portão sentido Portão, já chegando no Portão, simbolizado pelo shopping Ventura, antigo shopping Total, na altura do Palladium. Passando o Ventura, a próxima à direita é a Itacolomi, que é contramão. Aí surge aquela diagonal estreita muito estranha do lado direito, que parece que não vai pra lugar nenhum, é ali mesmo que tu entra. Essa diagonal, seguindo pela direita, vira a rua Itajubá. Dali uma quadra pra frente, na esquina temos a distribuidora de bebidas Skinão, impossível perder, e anexo ao Skinão é o Bendito. Uma caminhada moleza da estação tubo Itajubá, em linhas retas tortuosas.

Ali junto do Skinão

O Bendito Boteco tem um jeitão universitário assim, é perto da Unicesumar, e o fato de estar junto com uma distribuidora de bebidas muito maior em tamanho contribui para esta definição. Deram uma caprichada legal no ambiente do lugar: quadros de bebidas e carros da modinha, mesas e piso de madeira, iluminação quente meio escurinha, bandeira do nirvana, poderia ser até um bar de motoqueiro. Isso se na nossa chegada não tivesse um sertanejo lazarento em clips na TV, que deu uma esfriada nos ânimos. Quando chegamos o bar estava bem vazio, mas de forma interessante ele encheu rapidão de jovens a partir de umas 19h30, horário de gazear aula, e a música foi trocada por um roque, deus abençoe. Volume não tão alto, mas um alarido considerável no recinto. Ainda em relação ao ambiente: o salão é meio que um barraco, tanto pelo teto de lona (apesar da estrutura) quanto pela fumacêra que impõe um cheiro de gordura permanente ao lugar, não recomendo ir de vestido de festa, a noite tornará o cheiro memorável. O cheiro é causado por uma churrasqueira no meio do salão, na qual o jóvi faz os espetinhos. Mais para dentro tem um balcão num ambiente pequeno, escuro e hostil, é melhor ficar no salão principal mesmo. Completando o ambiente, um janelão de vidro que separa o boteco da rua e da distribuidora de bebidas. Boteco moderno, em essência. Parece ser um negócio familiar, do jeito que a mulher do balcão fala com o jóvi dos espetinhos, deve ser a mãe. O jóvi por sinal tem um atendimento exemplar, muito atencioso.

Entrando pela entrada principal
Ali a churrasqueira dos espetinhos, não tem muito pra onde fugir
O balcão lá dentro, garrafas salvadoras no horizonte
Cardápio de comes
Cardápio de bebes

Em relação às consumas, todas as placas apontam para os espetinhos, que são bons, consideramos nossa recomendação. Compensam as porções que não caíram no nosso gosto – frango e batata ruinzinhos, peixe OK. O pastel estava bom, não especial. Não experimentamos os sanduíches. As biritas são sofríveis – só tem chopps meia boca pilsen e de vinho, caipirinha só tinha de 51 em dobro (ressaca em dobro também), vem no copo de prástico ao contrário do que dizem os cartazes. Ainda bem que arrumaram uma garrafa de Campari para afogarmos nossas mágoas pela ausência de um etílico de qualidade. Preço universitário, mas qualidade idem, custo-benefício inferior ao que gostaríamos.

A resistência

O Bendito boteco da galera é pra levar a galera que você trombou no shopping Palladium ou convenceu de sair daquela primeira aula chata das setemeia, mas eu não levaria a namorada ou a mãe, a não ser que você tenha acabado de conhecer uma delas no terminal do Portão. Ganham pontos o atendimento do jóvi dos espetinhos e o roque no lugar do sertanejo, por mais que no meio das playlists aleatórias tenha tocado Sweet child of mine cinco (5) vezes até que o tio percebeu e avançou a faixa. Mas pesam negativamente a qualidade das biritas e o climão fumacento. Chegamos no silêncio com sertanejo ruim, passamos pela muvuca do roque, e saímos novamente no silêncio com sertanejo ruim (este durou pouco que o bar estava fechando), amostras de vários cenários pelos quais passa o cotidiano do boteco.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

#292 – Bentevi – 09/10/2025

Presentes: Adolfo, Bráulio, Cabeça, Cid, Deco
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolovo, coxinha

O Bentevi fica na Pudente de Moraes, atual núcleo de boemia da classe média-alta da capital das Araucárias, só que mais pra lá. A grande muvuca da rua fica nas últimas quadras que desembocam na Carlos de Carvalho, com calçadas que ficam até semi-intransponíveis em momentos mais badalados, e quanto mais você se afasta do final mais tranquilo fica. O bar em questão fica antes da Fernando Moreira, a rua do expresso e dos chorões, duas esquinas antes em duas quadras curtas para ser mais preciso. É claro que com a deixa da localização, o método facilitado e preferido de acesso é o vermeião, estação Brigadeiro Franco, apenas uma das vantagens do recinto.

Esquina da parte tranquila da Prudente... Voltemeia não tranquila

O Bentevi é um boteco pequeno, nascido não sei de onde, mas ocupou o lugar do “Mundo é Teu Bartolomeu” com comidas do mundo que tinha algum movimento mas não tanto assim. Fato é que quando mudou pro Bentevi, a esquina passou a ser muito mais superlotada em dias de calor e fins de semana. Nós contudo fomos em um dia horroroso em termos de clima, frio, vento, chuva, e parecia que tudo estava perdido, mas despontou uma grande vantagem, não chegou a ocupar todas as mesas nesta noitada. As portas de vidro foram fechadas, e o salão único ficou bem top. O assento preferencial é o externo em dias de calor e movimento, mas mais pela sensação de agito suado que fica lá dentro, porque se for pelo ambiente, dentro é muito joia. É um clima jovem alternativo assim, buscando fugir da fuleragem de um boteco universitário. Luzes baixas, quadros criativos, algumas decorações de pouco sentido prático, um certo tema esquerdão da modinha (devo avisar pra quem liga pra isso), e no fim tudo orna. Mesas de madeira e cadeiras de plástico com pés de metal, simples, aconchegante. Música sensacional, alternativo, oitentera, coisa que você canta junto mas nunca ouviu num boteco - tudo bem, é opinião minha, mas quero ver alguém não gostar da trilha sonora aqui. Possivelmente pela sorte de estar vazio, era fácil chamar uma das meninas para nos atender. Comida demorava um pouco; drinks vinham rápido quando não esquecidos.

Salão único: vista de cá
Salão único: vista de lá
Lá fora daqui
Lá fora de lá
Coma!
Beba!
Alguns veem doses... outros veem ingredientes
Não costumo postar comida aqui, mas olha que apetitoso...

A comida do Bentevi certamente é um ponto alto do estabelecimento. O cardápio é bem enxuto, mas cada item é tão bom! Destaque para o bolovo gourmetizado, crocante por fora, macio e suculento por dentro. Coxinha com crosta de panko. Croquete de cupim, queijo coalho, até a batata frita excelente, tempero diferenciado. De biritas, cervejas convencionais, doses de boa qualidade e drinks brilhantes. De novo, poucas opções, mas misturas criativas, excelentes. Ingredientes de qualidade trazem peso no preço, mas é bem aceitável pelo benefício oferecido.

Esses aí ganharam no sorteio

A experiência realmente importa nos encontros da nossa confraria, e este é um caso em que as condições foram favoráveis, principalmente pelo baixo movimento do dia. Comida espetacular, drinks top, música boa em bom volume, bate-papo em ótima companhia... para não falar que foi perfeito, a comida demorava um pouco e esqueceram um dos pedidos, que tivemos que reiterar após aguardar uns 15 minutos. Com muito prazer, começamos e terminamos o expediente do bar, primeiros e últimos do dia. Esse bar é demais, vá cedo e leve a namorada.

sábado, 1 de novembro de 2025

#291 – Bald’s Restobar – 25/09/2025

Presentes: Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Deco, Tanaka
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: de porções, o dadinho de tapioca, acho

O Bald’s Restobar fica bem no comecinho da Nunes Machado, quase na esquina, perto do Corpo de Bombeiros – em dias de emoção, você chega a pegar o caminhão disparando da garagem. Ali nas antiga era o Nakaba, restaurante japonês tradicional que se mudou para a Vicente Machado e ficou chique. Não exatamente ali, mas é um bom ponto de referência pros curitibano das antiga. O comecinho da Nunes Machado é bem pertinho da Praça Rui Barbosa, grande hub do transporte público da cidade, então não tem desculpa de ir de carro. Por mais que tenha um estacionamento na frente cobrando 14 reais a hora e fechando 23h, até o qual você pode ir pela Doutor Pedrosa pista da direita e virar logo antes da 24 de Maio, ou de forma mais conveniente pela Visconde de Guarapuava pista da direita, virando após a 24 de Maio na altura do posto Ipiranga.

É bem mais atraente quando tá aberto e não chovendo

O Bald’s Restobar é um boteco muito simpático, pelo qual me atraí passando na frente no dia em que Ozzy morreu, em que estavam tocando clássicos do Black Sabbath. A menina que atende, inclusive, conhecedora de música e filmes, atitude forte, é quem nos recebe, e tem um peão também jovem na cozinha, não ficou claro mas acho que é só eles que tocam o lugar. Pelo perfil dos trabalhadores é um bar de jovem, e os frequentadores comprovam esta teoria; não acho que sejam os donos, pois nenhum deles é careca. O ambiente que tem graça é o externo, pequenas mesas sobre a calçada com um toldo, mas o salão interno também é agradável e bem iluminado, apesar do alarido que fica ecoando entre o janelão de vidro e o mural retratando Dercy, Pelé e Senna numa mesa de bar. Inclusive procurei na internet e não encontrei uma foto da Dercy encontrando Pelé ou Senna, e fabricação por IA não tem graça, então a humanidade perdeu grande oportunidade. O som é de bom gosto, roque e oitenteras, volume um pouco alto mas aceitável. A comida demora um pouco pra chegar, mas não chegamos a sofrer por isso.

Lá fora
Na entradinha ali
Tou com as costas encostadas na parede
Vai dizer que não é um mural estaile?
Comes
Bebes e executivos do almoço

Pelo que entendi do cardápio, o bar é meio restaurante que serve PF durante o dia – o cardápio inclusive diz “restrobar”, mistura de restaurante e bar, o que é menos afrescurado que restobar... ou eu tou inventando isso? Enfim, à noite tem porções, e é nelas que nos concentramos, trazendo trabalho árduo para os atendentes, sinto muito por isso. Rolou dadinho de tapioca bom, tulipa de frango OK, batata com cheddar e bacon mais ou menos, queijo coalho meio seco, e as tiras de contrafilé (teoricamente) que estavam bastante ruins, daquelas carnes gordurentas, então não podemos dizer que a comida é um forte do estabelecimento. Os drinks também não estavam legais – os favoritos locais são meia boca, drinks e doses são bem caros para o estilo jovem do recinto. No final, o preço ficou bem acima do benefício consumido.

Uma história de sucesso

Este dia estava chuvoso, frio, ventando, Curitiba certamente querendo expulsar algum visitante mal-intencionado, o que acontece com certa frequência. Sentamos na sala de dentro, e estava agradável com uma vista completa pra fora pelo vidrão combatendo a claustrofobia... talvez seria mais agradável sem os jovens conversando alto num lugar com acústica não boa, mas logo foram embora. O papo foi bom, então apesar do comes e bebes não ter boa aceitação, ficamos até o fechamento do comércio, sofrendo em péssimo clima até a chegada dos Úberes e busões. Resumidamente, apesar de não termos tido problema algum com o atendimento, o Bald’s peca na qualidade dos comes e bebes mantendo preço alto, ao menos para as porções e drinks. Mesmo sendo um ambiente bacana, não recomendamos para o répi auer da firma.

sábado, 11 de outubro de 2025

#290 – Bar do Toquinho – 11/09/2025

Presentes: Adolfo, Adriano, Bráulio, Cabeça, Cid, Pedro-san, Tanaka
Sugestão: Cabeça
Quando lá, comer: o que tiver, se tiver?

O Bar do Toquinho fica na 24 de Maio, quase esquina com Rua Chile, do lado esquerdo. Preciso dizer mais alguma coisa? Curitibanos saberão só com essa descrição, e forasteiros procurarão no Google Maps mesmo. É um estilo antigo de responder quando alguém pergunta, onde é tal lugar? Exercício contra Alzheimer, recomendo. Chato que ali é meio que longe dos tubos do expresso, só os amarelos param perto, mas tenho certeza que você se vira.

Os nativos estranhando muito esses loco com a bandeira na calçada

O Bar do Toquinho é um lugar moderninho simplêra, quase que uma garagem, mas consegue ser aconchegante só nos detalhes. É um salão quadrado pequeno com duas portas de loja e só. Aí pra ter uma graça, tem varal de lâmpadas no teto, um painel coberto de “tipo” grama de um lado, um telão de outro, uma TV e um balcão, um quadro instagramável do Zeca Pagodinho e fim de papo. Na real dentro do salão cabem no máximo 4 mesas, mas só tem uma ou duas, o propósito sendo a turma tomar uma em pé mesmo ou se espalhar pela calçada. Quem atende é o próprio Toquinho, um cidadão muito simpático, que toca o boteco sozinho. Resumindo, é tipo um cara com um sonho, tá ligado? Aí ele vai lá e abre um boteco pros amigos, oferece uns drinks e chopps, e promove a socialização da nova geração.

Olha aí o astral de garagem
Ali o quadro do Zeca Pagodinho, não ligo pra foto fazendo pose
Calçada, o ambiente externo de bar por excelência
O cardápio artesanal de bebidas

Toquinho não sabe ao certo quais dos amigos dele vão aparecer em quais dias, então ele organiza os itens perecíveis em agendas. Nós que não sabíamos disso sofremos com o fato – chegando lá, não tinha comida, que o irmão dele (ou era ele mesmo? Sei que em algum ponto tinha participação do irmão dele) ia fabricar uns bolinhos de carne supostamente famosos. Diz Toquinho que também rola carne de onça às vezes. Enfim, fica a dica, em resolvendo vir ao estabelecimento, chamar Toquinho no Insta para ver se vai ter comes. Toquinho faz drinks brasileiros clássicos decentes e serve chopes, jovial e barateza.

Clássica mesa de bar 

Conforme citado, chegamos ao estabelecimento e não tinha comida, então ficamos discutindo o que fazer. Surgem perguntas filosóficas, dúvidas existenciais, para que serve um boteco? A nota do lugar será ruim? O foco de um bar não era pra ser bebida? Pedimos uma pizza? Neste ínterim, Toquinho percebeu nossa angústia e arrumou uma caixa de frango frito num estabelecimento próximo, muito firmeza o cidadão. O frango estava meia boca, mas jamais reclamaríamos pela hospitalidade do dono do bar, que inclusive se recusou a receber pagamento da cortesia. O Bráulio estava revoltado, era fome, e queria ir em algum estabelecimento próximo, então fomos ali no tal... Gracco Burger a uma quadra de distância, o pessoal se acabou no hambúrguer gorduroso de rico e se acalmou. Voltamos ali no Toquinho pra tomar mais uma em homenagem ao próprio. Então é isso, um resumo bem resumido de um evento sem grandes eventos. Buscando um ambiente jóvi só pra tomar uma, mas querendo fugir da muvuca de um inferninho, este boteco é uma opção legal.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

#289 – Armazém Santos – 28/08/2025

Presentes: Adriano, Cabeça, Cid, Tanaka
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: bolinho de carne

O Armazém Santos fica no São Braz, lá pras banda de Santa Felicidade, em frente ao clube Três Marias. Bom, pra quem é da cidade já tá fácil... Pra quem não é, a rua de referência de acesso é a Toaldo Tulio, que vindo do Barigui o acesso é pela BR277 sentido Ponta Grossa, vindo da Manoel Ribas é lá pela igreja perto da rua de paralelepípedo dos restaurantes. Mais pras banda da 277, a Toaldo Tulio tem uma derivação rumo ao Três Marias, o nome da rua é Três Marias também. A rua tem um descidão com curvas, onde ficava o antigo Armazém Santos, sempre com uma multidão esparramada pela calçada, e depois tem uma subidona – o boteco atual surge do lado esquerdo, amarelão, depois do Celeiro e em frente ao clube, difícil de perder. O busão pra chegar ali é o verdão, interbairros IV, baldeável no terminal de Campo Comprido.

O amarelão do Três Marias

O Armazém Santos é um bar estilo armazém, como diz o nome, e conta com uma porrada de itens “vintage” de mercados de pulgas, ou objetos que tinham na casa da vó e quem teve visão de futuro não jogou fora. No salão principal, ao redor das várias mesas de madeira pesada (pra não dizer maciça, não confundir com madeira de lei), você encontra tevês e rádios velhos, bicicletas e acessórios de carros antigos, chapéus e canecas, tem até uma cadeira de barbeiro das antigas. O que chama mais a atenção é um orelhão com o símbolo da extinta Telepar, mas o que tá escrito é Telebar, e tem um telefone de cartão dentro... lembra desses? Interessante que com tanto bagulho, o bar não tenha cheiro de naftalina – inclusive, o ambiente é limpo e muito agradável, tanto pela iluminação bem pensada, passando pelo roque clássico a volumes tranquilos, convidativo ao bate-papo, e chegando ao tratamento do CPT. O dono se chama Leandro, e pelo que entendi ele é irmão do Jean, dono do bar Garagem que fica na 277, e igualmente fã de carros antigos. Leandro é muito gente boa, daqueles peão que tem assunto infinito pruma conversa, nascido e criado no Mossunguê / Orleans, e trata todo mundo que entra como se fosse da família. Certamente é por isso que as vagas mais concorridas no bar (pelo menos à noite) são junto ao balcão, na frente do estabelecimento, estando também ao alcance das geladeiras de bebidas e da máquina de chopp. O horário do bar é de quarta a domingo, sendo de quarta a sábado às noites e fim de semana no almoço – mas fique ligado, o astral é de boteco de bairro, e se o movimento tá pobre demais, Leandro pode fechar o bar a qualquer hora, possivelmente por isso que ele não coloca no Maps nem no Insta o horário de funcionamento. Leandro atende pessoalmente o povão, e tem duas senhoras para ajudá-lo na cozinha, mas o bar fica bem movimentado, então não espere um atendimento super eficaz.

Ambiente vintage
Bagulho pra tudo que é lado
No andar de baixo tem um presídio pra largar as cria (desculpa LGPD, devo apagar as caras das crianças?)
O balcão bombando com o Leandro bem loco
Geladeira de armazém gurmê
O cardápio

Acredito que o Armazém Santos seja mais conhecido pelos almoços de fim de semana, pelo menos as fotos do Insta mostram que o bar bomba de verdade durante o dia. Durante a noite, os nativos costumam ir pra tomar uma, então o cardápio é bastante enxuto. Comemos meio que tudo que tinha de porção, batata e polenta, calabresa, alcatra acebolada na chapa com provolone, nada memorável mas bom. Pão com bolinho bom. O que mais agradou foram os bolinhos de carne suculentos. De bebes, uma boa variedade de cervejas convencionais e biritas de boteco, o Leandro faz caipirinha também, nada muito elaborado, astral armazém, mas atende plenamente às necessidades etílicas. Preços ficam em uma média saudável, não há abuso.

Nobres que priorizaram o boteco

Fiquei com medo de não abrirem no dia do boteco, não tinha nenhuma indicação de horário de funcionamento... fui lá no dia anterior e já aprendi a história de vida do Leandro, um bate-papo muito agradável, com participação de nativos da região e até o veinho vendedor de tele-sena do bairro. O boteco sendo longe pra burro do centro, um monte de gente afrouxou, falta de empenho... Mas estiveram firmes Tanaka, Adriano e Cabeça. O ambiente é muito tranquilo e familiar, comida boa, o Leandro é muito simpático, seria um boteco perfeito... porém... nossa experiência não foi sem revezes. O astral de boteco de bairro vai longe, então sentimos falta de alguma gestão e procedimentos para um sucesso completo do estabelecimento.

O Leandro estava absolutamente cercado de nativos no balcão, devia ter umas 20 pessoas, ele servindo birita e petiscos adoidado, então rolava uma demora para atender, tudo bem. Em certo momento, pedimos a tábua de alcatra colorida com provolone. Uns 10 minutos depois, Leandro vem e fala que a alcatra não está colorida, pois não tem pimentão. Ótimo, pensei, a única comida que não gosto, manda ver, OK. Tudo beleza. Mais 10 minutos além, aparece a senhora da cozinha pra falar que a alcatra não está colorida, pois não tem pimentão. Ótimo, pensei, a única comida que não gosto, manda ver, OK, sensação de deja vu. A senhora diz que tudo bem então, estava esperando o Leandro confirmar que era mesmo pra fazer, e ficou por isso mesmo... a alcatra veio 40 minutos após o pedido original. Tudo bem, estava boa, os outros pedidos já tinham dado uma forrada no estômago, exceto para o Cabeça que chegou tarde, mas enfim. Dali a pouco passam as duas senhoras, boa noite, e saem do bar. Adriano fala, acho que a comida está indo embora. Perguntamos ao Leandro, a comida foi embora? E ele diz sim, a comida foi embora. Era 21h15, sem aviso prévio nenhum. Eu e Tanaka estávamos de boa, mas Cabeça ficou bem contrariado, com razão – avisar que a cozinha está fechando é básico. Tanaka já estava de saída cedo, então pagamos a conta, e fui com o Cabeça e o Adriano terminar de comer no Celeiro ao lado – e depois de pedir duas porções no Celeiro, o garçom veio e falou que a cozinha está fechando, desejam mais alguma coisa? Certificando que o Celeiro tem procedimentos adequados para o sucesso do estabelecimento. Garçom excelente por sinal, fico triste em ter esquecido do nome dele pois o elogiaria publicamente neste post.

Resumindo, o Armazém Santos é um lugar top demais, ambiente diferenciado, e vale muito a pena pegar um dia tranquilo pra bater um papo com o Leandro e tomar uma gelada – é um estabelecimento que dá vontade de não ir embora. Para ser perfeito, só falta mais um ajudante pra atender as mesas e um punhado de protocolos de atendimento. Por mais chato que soe, os clientes agradecem.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

#288 – Bar Otelo – 14/08/2025

Presentes: Adolfo, Cabeça, Cid, Tanaka
Sugestão: Cid
Quando lá, comer: croquete de ossobuco

O Bar Otelo fica na encruzilhada da Carlos de Carvalho com a Prudente de Morais, no novo inferninho badalado entre o centro e o Bigorrilho. O endereço do bar é na Carlos de Carvalho, passando a Prudente, logo antes de chegar na Brigadeiro Franco, do lado esquerdo. Não tem muito mais o que falar em relação à localização, fora a proximidade com o tubo da Praça Osório e a dificuldade de estacionar. Desista dessa vida de beber e dirigir que uma hora dá mehda. Seja saudável e atlético, visite o boteco a pé.

Em região nobre da cidade

O Bar Otelo busca um ambiente de botecão clássico carioca, puxando mais pruma experiência gurmetizada como é o Sambiquira. O ambiente central do bar é um puta salão com as mesas de madeira preta bastante próximas umas às outras. As paredes são ocupadas totalmente com quadros de fotos históricas e propagandas antigas, algumas pérolas aqui e ali – mais pra cima (sim, próximo ao teto) os espaços vazios são ocupados por canecas e garrafas. Chão de azulejos brancos e pretos alternados e uma renca de garção com vestimentas tradicionais de garção completam a cena botecal, com uma boa dose de poluição visual e sonora. Por sinal, o alarido é brabo neste estabelecimento, talvez pelo próprio número de pessoas que lota o bar na grande maioria dos dias – tentaram botar um isolamento sob as mesas, aquelas espumas em formato de caixa de ovo, mas praticamente em vão, é necessário ter gogó potente pra ser ouvido num bate-papo. Tocam música brasileira de boa qualidade, e a TV passa futebol, tudo de acordo com o tema pretendido. Os pedidos demoram tempos aleatórios e os garção precisam ser puxados pelo braço para que te atendam, apesar de terem vários circulando o bar a todo momento. Mais detalhes ao final da resenha.

O ambiente
Uma olhadinha mais de perto no balcão
Lá fora, mal tem espaço pra deixar a bera na mesa
Comes I
Comes II
Bebes I
Bebes II
Ótimas referências

Os comes são bem caprichados no Otelo. O cardápio é vasto e tudo que comemos foi muito bom. Destaque especial para o croquete de ossobuco com queijo, realmente espetacular e merecendo repetição. Camarão crocante à dorê excelente. Pastel, frango, aipim, rollmops, não tem erro. Tem vários pratos completos para refeições, mas nos ativemos às porções, principalmente porque o coro foi baixo neste dia (do nosso grupo, não do bar sempre lotado). A variedade de bebidas também é bem ampla – chopp Brahma claro e escuro (acho que não é o black, falta gás, mas não sou especialista), cervejas convencionais, caipiras e drinks. Pedimos alguns poucos drinks que não impressionaram, vampiro de Curitiba, o negroni que o Adolfo não larga, foram decentes. Na última página do cardápio, uma lista bem interessante de biritas de boteco. O que não é interessante é o preço, bastante abusivo de forma geral, em especial para as bebidas. As porções têm um preço mais OK, mas os tamanhos são pequenos. A receita é similar ao Sambiquira, mas pelo menos no Otelo as comidas são bem caprichadonas, não é cobrar caro demais pelo simples como no outro.

Autoridades no boteco

OK, experiências vivenciadas... cheguei antes da galera por medo de lotar, e realmente lotou – Tanaka apareceu, quando o Adolfo chegou o bar já tinha lotado, e não era tarde não. Cabeça apareceu depois e fomos só nozes. Enfim, eu pedi um chopp adiantado, e quando o Tanaka chegou pediu uma porção de pastel e um chopp. O pastel veio até que rápido, mas o chopp... chamamos o garçom, ele falou ah é, e foi pedir de novo. Mais dez minutos de paciência, saindo chopp adoidado pras outras mesas, mais cinco minutos pra pegarmos um garçom pelo braço, “ainda não veio”? e ele arrumou o chopp finalmente, muita demora. Olhando para o salão, cinco garçons tirando pedidos loucamente, e um cara só servindo chopp no balcão, coisa que não faz sentido... assim como a gente não conseguir chamar garçom, é só por contato físico mesmo, sugiro sentar do meio pra dentro pra conseguir agarrar o garçom passando. Chamar o garçom foi difícil a noite toda, e rolou atraso de fornecimento de chopp mais umas duas vezes. Algumas porções de comidas vinham incrivelmente rápido, outras demoravam... Realmente cumpre o tema proposto de boteco carioca, me senti no Rio de Janeiro com essa qualidade de serviço. Na outra mesa tava sentado o Mário (conhece o Mário?), camiseta vermelha, boné, bigodão e jeans, muito caricato, e depois do Mário ir embora, um magrelo bigodudo ocupou a mesma mesa, Luigi... icônico. Pedimos comes e bebes conforme a paciência e o espaço na barriga permitiam... Enfim, as comidas dão uma boa compensada, o ambiente é bem legal apesar do barulho, mas o custo-benefício sofre com os pontos negativos. Todo o barulho deixou a gente cansado, e fomos embora pelas 23hpouco com o bar ainda movimentado.